• Luciana Gomes

Biografia mostra Steve Jobs como homem criativo e difícil de conviver

Na lista dos livros mais vendidos nos EUA e no Brasil, Steve Jobs, a biografia, narra em detalhes a vida do criador da Apple.


Por Salvatore Carrozzo | salvatore.carrozzo@redebahia.com.br

Pare e pense um minuto: qual empresário causou tanta comoção mundial quando foi anunciada sua morte quanto o empresário americano Steve Jobs, falecido vítima de câncer no último dia 5 de outubro, aos 56 anos? Logo, a notícia circulou o mundo e deu origem a cerimônias organizadas pelos fãs – sim, ele tinha uma legião deles – e homenagens nas redes sociais. Fatos dignos de um popstar. Título, aliás, que Steve soube conquistar.

Uma explicação para tal comoção planetária é que Steve Jobs transcendeu o mero papel de empresário. Fundador da empresa Apple (Maçã, em inglês), ele é considerado um visionário que mudou a forma como as pessoas se relacionam com tecnologia.

Mas nem tudo envolvendo ele é doce. O lado mais ácido do criador do iPhone e aparelhos afins dá a tônica – em parte, vale ressaltar – de Steve Jobs (Companhia das Letras, R$ 50/ 624 págs.), biografia  escrita pelo americano Walter Isaacson, que já foi presidente da rede CNN e editor-executivo da revista Time.  


Campeão de venda Quem se aventurar na leitura vai encontrar, sim, um gênio criativo, como era de se esperar. Mas também a descrição de uma pessoa muito temperamental e egocêntrica, capaz de passar por cima de todos para conseguir seus objetivos. Ele foi acusado de roubo intelectual por Bill Gates, com quem trabalhou no projeto do macintosh, computador lançado pela Apple em 1984.

Apesar das revelações pouco positivas para a imagem de Jobs, o livro não é uma biografia não-autorizada. O convite ao autor surgiu do próprio Jobs. Nos últimos dois anos, Isaacson realizou quase cinquenta entrevistas com Jobs. O escritor também ouviu amigos, família e até desafetos. Tudo com autorização e incentivo de Jobs, que não interferiu no resultado – pelo menos assim foi divulgado.

Ao longo das páginas, o trabalho deixa claro que Jobs foi um homem com visão aguçada e que mudou a forma como as pessoas se relacionam com tecnologia. Ele é o pai de criações que vão além do mero objeto, como iPod, iPhone e iPad, para citar apenas aqueles surgidos já nos anos 2000.

Em uma semana,  a biografia se tornou a mais vendida no mercado americano. No Brasil, já está na liderança no ranking elaborado pela revista Veja, na categoria não-ficção. Em Hollywood, já se fala em adaptação para o cinema. Um dos roteiristas cotados seria Aaron Sorkin, do filme A Rede Social, sobre a criação do facebook.  

Budismo Steve Jobs nasceu em 1955. Os pais biológicos abandonaram a criança, que cresceu com a família adotiva em uma cidade do Vale do Silício, região da Califórnia que era o berço da tecnologia de ponta nos EUA na segunda metade do século 20. O ambiente, diz a biografia, teve papel fundamental para a formação do rapaz, louco por tecnologia. Na escola, era famoso tanto pela indisciplina quanto pela inteligência.

Na juventude, Jobs viveu intensamente a contracultura e o movimento hippie. Depois, tornou-se adepto do budismo, passando temporada de sete meses em retiro espiritual na Índia. Em 1970, conheceu Stephen Wozniak, um criativo programador com quem abriria, seis anos depois, a Apple. Wozniak dedicava-se à tecnologia de forma amadora. A visão revolucionária de Jobs impulsionou a dupla a juntar dinheiro e abrir a empresa.

Bill Gates Toda a trajetória de Steve Jobs está no livro. O início das pesquisas em busca de interfaces amigáveis para o usuário que não é especialista em tecnologia sempre norteou as pesquisas da Apple. Jobs nunca acreditou em análises de mercado. “As pessoas não sabem o que querem até que a gente mostre a elas”, disse certa vez.

No perfil construído por Walter Isaacson,  Jobs aparece como extremamente controlador. Fazia questão de acompanhar todos os detalhes da empresa. Com seu gênio difícil, ganhou inúmeros desafetos. Trocou muitas farpas com o criador da Microsoft, Bill Gates, com quem chegou a trabalhar. “Bill Gates basicamente não tem imaginação e nunca inventou nada, e acho que é por isso que ele se sente mais confortável fazendo filantropia do que no mercado de tecnologia. Ele apenas roubava as ideias dos outros, sem vergonha alguma”, diz Jobs. 

Acupuntura  Em 2003, o criador da Apple teve diagnóstico positivo para câncer neuroendócrino, um tipo raro e de progressão lenta. A crença em terapias alternativas, relata o livro, levou Jobs a ficar quase um ano buscando a cura por meio de remédios feitos com ervas, uma dieta à base de vegetais e técnicas como acupuntura. Ele resolveu se submeter à primeira cirurgia apenas em meados de 2004. Para o autor da biografia, a relutância em passar por uma operação quando o câncer estava em estágio inicial contribuiu para o insucesso da cura.  

A morte de Jobs transformou o americano em um mito. A empresa de óculos Lunor, fabricante do modelo de lentes redondas imortalizado por Jobs, diz que a procura pelo acessório cresceu no último mês. O mesmo vale para a camisa preta de gola alta da St. Croix, marca usada pelo americano: a procura dobrou, afirma a empresa. Os fãs querem ter Steve Jobs por perto. Segundo o Wall Street Journal, até o livro virou objeto de culto nos EUA. Coisa de applemaníaco.

#biografia #SteveJobs

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